A ARTE DA AUTENTICIDADE

23/03/2010 21:49

Em nossos estudos e buscas para entendermos de facto o significado verdadeiro e profundo da origem da autenticidade do caráter humano, não encontramos maior, melhor e reflexiva definição a respeito do assunto em epígrafe, abordada pelo autor Augusto Cury em "O Mestre da Sensibilidade" (Exposto p/:Carvalhos de Justiça).


Cristo, durante a sua vida, mostrou possuir um poder fora do comum. Suas palavras deixavam extasiadas as multidões e atônitos os seus opositores. Ao se pronunciar aos seus três discípulos no jardim do Getsêmani, revelou-lhes uma face que eles nunca pensaram ver, a face da sua fragilidade. Todos nós possuímos comportamentos contraditórios. Temos uma necessidade paranóica de que as pessoas conheçam os nossos sucessos e nos aplaudam, mas ocultamos nossas misérias, não gostamos de mostrar nossas fragilidades.

O mestre teve a coragem de confessar aos seus três amigos íntimos aquilo que ele guardava dentro de si. Disse com todas as letras: “Minha alma está triste até à morte" (Mateus 26:38).

Como pode alguém tão forte, que curou leprosos, cegos e ressuscitou mortos, confessar que estava envolvido numa profunda angústia? Como pode alguém que não teve medo de ser vítima de apedrejamento dizer, agora, que sua alma estava profundamente triste, deprimida até à morte? Os discípulos, acostumados à fama e ao poder do mestre, ficaram extremamente abalados com a sua dor e fragilidade. Nunca esperavam que ele dissesse tais palavras. Jesus era para eles mais do que um super homem, alguém que tinha a natureza divina.

 

No conceito humano, Deus não sofre, não tem medo, não sente dor nem ansiedade e, muito menos, desespero. Deus está acima dos sentimentos que perturbam a humanidade.


Contudo, apareceu na Galiléia alguém que proclamou com todas as letras ser o próprio filho de Deus e afirmou que tanto ele como seu Pai têm emoções, ficam preocupados, amam cada ser humano em particular. O pensamento de Jesus revolucionou o pensamento dos judeus que adoravam um Deus inatingível.

Os discípulos também tiveram seus paradigmas religiosos rompidos. Não conseguiam entender que aquele que consideravam o filho de Deus estivesse revestido da natureza humana, que fosse um homem genuíno (autêntico). Os discípulos não tinham consciência de que o mestre seria condenado, ferido e crucificado, não como o filho de Deus, mas como o filho do homem. Todo o sofrimento que Cristo passou foi como homem, um homem como qualquer outro. Os açoites, os espinhos e os cravos da cruz penetraram num corpo físico humano. Ele sentiu as dores como qualquer ser humano sentiria se passasse pelos mesmos sofrimentos.

No Getsêmani, Jesus teve gestos inesperados. Como é possível que o portador de um poder jamais visto em toda a história da humanidade tenha a coragem de dizer que sua alma está profundamente triste? Como pode alguém que se colocou como Deus eterno e infinito precisar de amigos mortais e finitos para confessar sua dramática angústia? Que homem na história reuniu essas características diametralmente opostas em sua personalidade?

Os discípulos, fascinados com o poder de Cristo, jamais pensaram que ele sofreria ou precisaria de algo. Então, de repente, o mestre não apenas diz que está profundamente triste, mas que gostaria da companhia e da oração deles naquele momento. Jesus Cristo viveu na plenitude a arte da autenticidade. Os discípulos pasmos não entenderam nem suportaram a sua sinceridade. Jesus não escondia seus sentimentos mais íntimos, enquanto nós os represamos.

 Somos impiedosos e autopunitivos com nós mesmos. É como se não pudéssemos falhar, manifestar fragilidade, errar. Alguns nunca expõem seus sentimentos. Ninguém os conhece por dentro, nem mesmo o cônjuge, os filhos ou os amigos mais íntimos. São um poço de mistério, apesar de terem necessidade de dividir suas emoções.

O Mestre dos Mestres da escola da vida deixou-nos o modelo vivo de uma pessoa emocionalmente saudável. Ele se entristeceu ao máximo e não teve medo nem vergonha de confessar abertamente suas emoções aos seus amigos. Estes registraram em papiros essa característica de sua personalidade e a expuseram ao mundo.

Até hoje, a maioria das pessoas não entende que tal procedimento é característico de uma pessoa cativante. Só os fortes conseguem admitir suas fragilidades. Aqueles que fazem questão de se mostrar fortes por fora são de fato frágeis, pois se escondem atrás de suas defesas, de seus gestos agressivos, de sua auto-suficiência, de sua incapacidade de reconhecer erros e dificuldades.

O mestre era poderoso, mas sabia se fazer pequeno e acessível. Posicionava-se como imortal e parecia inabalável, mas, ao mesmo tempo, gostava de ter poucos amigos e de dividir com eles seus sentimentos mais ocultos. Muitos querem ser “deuses” ou se comportar como “anjos”, mas Jesus amava os gestos mais simples.

Muitas pessoas, incluindo cristãos, não têm uma vida intelectual e emocional saudável. Sofrem intensamente, mas não admitem seus sofrimentos ou não conseguem ter amigos com quem possam dividir seus conflitos. Alguns gostariam de compartilhá-los, mas não encontram alguém que os ouça sem preconceitos e sem prejulgamentos. Outros podem cometer suicídio simplesmente por não terem um amigo com quem desabafar suas dores. As pessoas que não possuem amigos íntimos, capazes de gostar delas pelo que são e não pelo que têm deixam de viver uma das mais ricas experiências existenciais.

Vivemos ilhados na sociedade. Infelizmente, muitos só têm coragem de falar de si mesmos quando estão diante de um terapeuta. Creio que menos de um por cento das pessoas têm vínculos profundos com seus amigos. A maioria daqueles que chamamos de amigos mal conhece a sala de visitas de nossas vidas, muito menos nossas áreas mais íntimas.
 
A grande maioria dos casais não constrói uma relação de companheirismo e amizade em seus casamentos. Marido e esposa, apesar de dormirem na mesma cama e respirarem o mesmo ar, são dois estranhos que pensam que se conhecem bem. Pais e filhos repetem a mesma história, constituindo com freqüência grupos absolutamente estranhos.

Precisamos aprender a penetrar no mundo das pessoas. A arte de ouvir deveria fazer parte de nossa rotina de vida. Todavia, pouco a desenvolvemos. Somos ótimos para julgar e apontar com o dedo a falha dos outros, mas péssimos para ouvi-los e acolhê-los. Para desenvolver a arte de ouvir é preciso ter sensibilidade, é preciso perceber aquilo que as palavras não dizem, é preciso escutar o silêncio.
 
O Mestre de Nazaré sabia tanto ouvir como falar de si mesmo. Ao expor a sua dor, estava treinando seus discípulos a serem abertos e autênticos uns com os outros, a dividirem suas angústias, a aprenderem a arte de acolher as palavras alheias. Por amar aqueles jovens galileus, ele não se importou em usar a própria dor como instrumento pedagógico para conduzi-los a se interiorizar e construir uma vida saudável e sem representações.

Após análise profunda, vejamos alguns mecanismos de defesa, contrários a autenticidade:
 

AS MÁSCARAS:

Um mecanismo de defesa do Ego. Constitui-se de emoções e tendências comportamentais que se manifestam em nós automaticamente, ao percebermos, de forma consciente ou não, uma ameaça psíquica e buscamos proteção dessa realidade “ameaçadora”.


TIPOS DE MÁSCARAS:
 
Consciente (Máscara Social - Externa)

Inconsciente (Máscara Interna)

PORQUE USAMOS MÁSCARAS ?

Todos nós passamos por situações, para nós, consideradas constrangedoras, sejam internas ou externas e por não sabermos lidar com essas situações e por desconhecer a origem dos constrangimentos, quase sempre acionamos mecanismos de defesa do ego.

As máscaras funcionam como “molas” que amenizam os golpes psicológicos que sofremos na alma. Por isso, não devem ser vistas simplesmente como sinônimos de patologia emocional, porquanto seu uso instintivo será considerado adequado ou não, desde que sejam utilizados durante o “tempo necessário” para equilibrar ou recompor a saúde integral.
 

CONCLUSÃO:

Busquemos de Deus sabedoria para aprender a sermos nós mesmos, aprender a conviver pacificamente com nossos conflitos e aprender a dividir nossas angústias.

Abandonemos o “verniz social” que nos impusemos no transcorrer da vida, substituindo-o pela autenticidade de nós mesmos. Sejamos pois autênticos. Descubramos nossas reais potencialidades interiores, que herdamos de nosso Criador.

Desenvolvendo nossas potencialidades, agiremos com maior naturalidade e, conseqüentemente, estaremos em paz conosco e com o mundo.
 
 Devemos reconhecer que o primeiro passo para a renovação das atitudes é deixarmos de olhar o mundo através de uma máscara, e nos ligarmos à amplitude do centro que é Deus. (Mateus 5:37)

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