RUÍDO, PRESSA E MULTIDÕES - TUMULTO DA ALMA

19/08/2010 21:14

Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. (Salmos 46:10).
 

Richard Foster afirma que “na sociedade contemporânea nosso Adversário se especializa em três coisas: ruído, pressa e multidões”. O mundo moderno é muito barulhento e frenético, além de preocupar-se demais com as massas. Estamos vivendo na era do barulho.

O volume do som que invade o ambiente no circuito das cidades é descomunal. A emissão de som em exagero, tanto no espaço exterior como nos recintos fechados, é responsável pela perda gradativa da acuidade auditiva das pessoas. O mundo está ficando surdo e com isso a zoada aumenta ainda mais.
 
Além do barulho externo excessivo, há o tumulto da alma. O homem moderno tem sido estimulado emocionalmente mais do que qualquer outro da história humana, e em conseqüência disso, sua mente é muito agitada. A excitação constante do sistema nervoso tem produzido pessoas mais “ligadas” e inquietas, que gritam por dentro numa convulsão de sintomas que assinalam uma extraordinária ansiedade.
 
O zunzunzum do mundo e o brado da alma são substâncias que ateiam o calor íntimo das pessoas, bloqueando o repouso interior. Somos uma geração intranqüila que corre de um lado para o outro tentando achar um lugar de lazer, mas sem muito êxito. O ser humano não foi feito para esse agito.
 
O primeiro lar da raça adâmica foi um jardim sossegado, onde o deleite era a essência da comunhão com Deus. Ninguém precisava buscar lá fora o gozo, pois a vida com Deus preenchia o significado da existência. Hoje, se vive à caça do divertimento a qualquer custo e não há prazer que atenda ao rombo produzido pelo pecado.

Remo Cantoni disse que “a corrida frenética aos prazeres e aos divertimentos nasce de um desequilíbrio interior, do tédio, da intolerância do próprio estado e da necessidade de cobrir o déficit psicológico, lançando ao eu o maior número possível de estimulantes e reagentes”.
 
Essa busca externa de sentido é o atestado da falência interior. A grande necessidade da alma é o descanso. Jesus fez uma proposta aos seus discípulos que sugere férias no domínio dos sentimentos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. (Mateus 11:29).
 
O Pai fala de modo decisivo: aquietai-vos e sabei que eu sou Deus. Só na quietude podemos saber que Deus é realmente Deus. É preciso uma trégua na agenda cheia para poder conviver com o Pai. O alvoroço e a correria são obstáculos para a comunhão. Na academia de Jesus há duas matérias indispensáveis para o alívio da alma: mansidão e humildade.
 
A mansidão está ligada com o direito de posse. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. (Mateus 5:5). A humildade está relacionada à posição do ser. A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra. (Provérbios 29:23).
 
A mansidão mexe com as prioridades relacionadas com o ter, enquanto a humildade está ligada às preferências do ser. A pessoa mansa sabe administrar o seu tempo do ponto de vista do seu maior tesouro. Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mateus 6:33).
 
A ênfase da mansidão é a precedência daquilo que tem o maior valor. A humildade aponta para o nosso estado. O homem é húmus ou argila. Humano é o pó que ficou de pé. É o húmus vivificado que anda como gente. Humilde é o humano que se reconhece húmus. É o homem que depende inteiramente de Deus.
 
A humildade é pura honestidade, pois é simplesmente a percepção da completa nulidade humana e da sua dependência total de Deus. Sem mansidão e humildade não há lugar para Deus na agenda. O estardalhaço da alma não permite que Deus faça parte de sua pauta, por isso é imprescindível o aprendizado das disciplinas espirituais.
 
Sendo assim, é preciso, através da graça plena, fazer aquietar esse coração agitado. Volta, minha alma, ao teu sossego, pois o SENHOR tem sido generoso para contigo. (Salmos 116:7). Deus quer nos abençoar e nós precisamos ordenar a nossa alma a voltar depressa ao seu sossego.
 
Eu sei que não é fácil esse processo, tampouco a nossa alma o quer, mas é a única alternativa. Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos. (Jeremias 6:16).
 
Jesus Cristo é o caminho do descanso e não podemos andar por ele sem comunhão. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. (1 Coríntios 1:9). Essa comunhão espiritual necessita de solitude, isto é: tempo a sós com a Trindade. A intimidade divina não é assunto para as multidões.
 
O Senhor mostrou aos discípulos a indispensabilidade de afastamento dos observadores, porque a confiança requer transparência e informalidade. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. (Mateus 6:6).
 
Jesus sempre buscou lugares isolados para desenvolver a sua comunhão com o Pai. De quando em quando ele saia sozinho para manter um relacionamento mais estreito com o Pai. Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava. (Marcos 1:35).
 
A solitude não é solidão. É um momento em nossa agenda em que nos separamos das pessoas, a fim de ampliar o nosso relacionamento com Deus. Apesar de nos encontramos sozinhos não estamos solitários. Nenhuma pessoa que esteja em comunhão com Deus pode encontrar-se desacompanhada.
 
Os momentos de retiro são ocasiões de quietude. A alma precisa ficar sossegada para poder ouvir a voz de Deus. O silêncio é um elemento fundamental para escutar o som suave da voz do Pai. Veja como Deus falou com o profeta Elias. Ele não falou no meio do tumulto, mas na suavidade.
 
Depois do terremoto, um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranqüilo e suave. (1 Reis 19:12). O silêncio é imprescindível para poder ouvir Deus falar. Ele é espírito e a sua voz só será ouvida em nosso espírito. Para isso é preciso que estejamos calados e a nossa alma serena.
 
O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra. (Habacuque 2:20). A pressa, a algazarra e as multidões são bloqueios na comunhão com Deus. O sossego, o silêncio e a solitude são indispensáveis para a comunicação espiritual. Não há atalhos nem caminhos mágicos.
 
Cale-se toda carne diante do SENHOR, porque ele se levantou da sua santa morada. (Zacarias 2:13). Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus. Primeiro a quietude, depois o co-nhecimento pessoal de Deus. Nossa maior necessidade é nos aquietar silentes diante do trono da graça e esperar a revelação de Pai.
 
Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio. (Lamentações 3:26). A solitude, o silêncio e a simplicidade são fundamentais nesse processo da quietação emocional. Se as multidões asfixiam a pessoa e a vozearia transtorna a calma, o corre-corre assanha a alma e extingue qualquer centelha de simplicidade.
 
A crise mais aguda da vida espiritual está relacionada com a presunção de exclusividade e importância. Há um grande risco na esperteza da mente. Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim tam-bém seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. (2 Coríntios 11:3).
 
A simplicidade esvazia a ostentação e desestabiliza toda manifestação de esnobismo. Uma vida simples não quer dizer uma vida despojada dos recursos que Deus provê, mas expressa um viver contente na dependência do que Deus tem providenciado. “A simplicidade conhece o contentamento tanto na humilhação como na abundância”, por isso, numa mente satisfeita há uma celebração permanente.
 
Matthew Henry disse que “aquele que está sempre satisfeito, embora tenha tão pouco, é muito mais feliz do que aquele que está sempre a cobiçar, mesmo tendo muito”. A mansidão e a simplicidade são responsáveis pela estabilização da agenda de acordo com as prioridades de valor eterno.
 
Ainda quero ressaltar que a descomplicação é uma das características marcantes da simplicidade. Viver contente em qualquer ocasião e ser um facilitador das relações é um patrimônio social que não tem preço nesse mundo da afetação dos afetados. Hoje, mais do que nunca, precisamos gozar da quietude espiritual. Isso não é tão fácil assim, mas é imperioso que busquemos o caminho da vida intima com Deus. Como mostrou Victor Alfsen, “Deus pode fazer maravilhas com um coração quebrantado, se você lhe entregar todos os pedaços”.
 
A minha alma é muito inquieta e com excesso de ruído. Mas não há alternativa, é preciso aquietá-la sob o governo da graça, a única escola capaz de levar a cabo esse programa, sem violentar a personalidade. Veja como o salmista é enfático. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança amamentada se aquieta nos braços de sua mãe, assim como essa criança é a minha alma para comigo. (Salmos 131:2).
 
 
CONCLUSÃO:
 
Quero, porém, ressaltar que somente a graça de Deus é competente na aplicação dos métodos adequados para as disciplinas espirituais, e deste modo, que o Santo Espírito nos conduza aos exercícios graciosos que nos capacitem ao segredo da quietude. Aleluia!
 

 

P/: GLÊNIO FONSECA PARANAGUÁ

 

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