PERDÃO: REMÉDIO QUE CURA

03/05/2011 20:27

A Bíblia descreve uma pessoa magoada como uma cidade murada ou como um portão com fortes trancas de ferro (Provérbios 18:19). Muitas pessoas já sofreram tantas experiências negativas nos relacionamentos que, aos poucos, foram acumulando ressentimentos e fecharam o coração com tais trancas.


Uma mágoa é uma espécie escrita de dívida, como uma nota promissória emocional que mantemos contra alguém dentro de nossa alma. Ela nos traz a sensação de sermos vitimados, criando uma sensação de que alguém nos deve algo e por isso é culpado.
 
O ressentimento é a emoção mais destrutiva para os relacionamentos humanos e para o bem-estar pessoal. Ele nos lança para dentro de um perigoso ciclo de auto-destruição: a mágoa produz a ira; a ira produz o desejo de vingança; vingança produz as ações destrutivas; as ações destrutivas geram um sentimento de derrota e fracasso; e este sentimento produz mais mágoa ainda. Mágoa é câncer de alma.

É um fato comprovado que a falta de perdão faz adoecer não somente a alma, mas também o corpo. Às vezes, uma pessoa fica doente e ao consultar o médico, tudo está perfeito no corpo. O problema está na alma. A maioria das doenças psicossomáticas, ou seja, doenças da alma que atingem o corpo estão associadas às nossas relações interpessoais.

Há um ditado no meio dos terapeutas que afirma o seguinte: quando a boca cala, o corpo fala; quando a boca fala, o corpo sara. Por isso, uma das palavras mais doces do cristianismo é o perdão. Que soltará as correntes que há muito aprisionam sua alma e não lhe permitem andar com naturalidade em todos os lugares.

Juiz da alma

A vida sem o exercício do perdão nos coloca na indevida posição de “juízes da alma dos outros”. Geralmente quando estamos magoados julgamos a pessoa que nos magoou, sem misericórdia alguma. Como esse julgamento acontece dentro de nós, sequer ouvimos as razões do outro. É como se em um dos ambientes da alma fosse transformado em uma sala de tribunal, só que composto apenas de um juiz e promotor de acusação.

Não há advogado de defesa porque ficamos completamente fechados dentro de nós mesmos, como uma cidade antiga, rodeada por altos muros e portões com trancas de ferro: “Um irmão ofendido é mais inacessível do que uma cidade fortificada, e as discussões são como as portas trancadas de uma cidadela.” (Provérbios 18:19).


Assim é a tensão interna do magoado que se recusa a perdoar. A falta de perdão provoca abatimento, auto indignação e afeta nossa auto imagem, porque muitas vezes nos sentimos incapazes de reagir. Abre abismos entre o homem e Deus e entre o homem e seu semelhante. A falta de perdão produz efeitos devastadores na relação conjugal. Abre um enorme abismo e o casal torna-se distante, estranho e sexualmente frio. Acabam-se todos os sonhos conjuntos surge o desgaste pessoal e a relação entra em processo de morte.

A mágoa e a culpa e a falta de perdão também produzem efeitos devastadores na relação com os filhos. A relação torna-se de pouca ou quase nenhuma intimidade. Há extrema pobreza na linguagem afetiva. Aniquila o companheirismo e passam a evitar o toque com as mãos, o que produz ainda mais o distanciamento. Por isso, Jesus diz:

“Não julguem, e vocês não serão julgados. Não condenem, e não serão condenados. Perdoem, e serão perdoados. (Lucas 6:27)

“Um irmão ofendido é mais inacessível do que uma cidade fortificada, e as discussões são como as portas trancadas de uma cidadela.” (Provérbios 18:19).
 
Absolvição da culpa

Somente o perdão é capaz de devolver vida ao ser e naturalidade às relações. Se por um lado a mágoa é um julgamento interior que sentencia alguém, no lado oposto, o perdão é também um julgamento interior que dá absolvição ao culpado. Perdoar não é negar a culpa de alguém; é absolver o culpado, apesar da culpa. Foi isso que Deus fez por nós e com nossas promissórias morais, espirituais e existenciais:

“Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz...” (Colossenses 2: 13-14)

Esse fato nos mostra que a partir do cristianismo, Deus propõe um novo modelo de espiritualidade, que é de dentro para fora, baseado não nas ordenanças e rituais, mas na transformação da vida e do caráter. É um estilo de vida baseado na graça e não na lei, no perdão e não na culpa. Uma das grandes mensagens do cristianismo é a possibilidade da vida segundo o espírito do perdão. O perdão nos devolve a vida, roubada pela sensação de prejuízo que a mágoa traz. Sentimo-nos novamente aceitos, devolve-nos o vigor e a força para viver.

Dar e receber perdão recupera a auto estima e nosso senso de dignidade. Essa foi a história da prostituta a quem Jesus tratou com respeito e perdão. Esse fato transformou a vida daquela mulher. Também foi o caso de Zaqueu, e de tantos outros personagens bíblicos que sentiram-se completamente restaurados por causa do perdão. Perdão restaura a dignidade nossa e das pessoas que nos magoaram.

“Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz...” (Colossenses 2: 13-14)

Anulação da dívida

Perdoar é uma decisão tanto quanto um estilo de vida. O perdão é uma característica que vem do próprio Deus. É, digamos assim, seu estilo de vida.

“O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de. amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniqüidades”. (Salmos 103:8-10)

Porque o perdão é uma característica de Deus, deve ser um ideal a ser perseguido por cada um de nós. A Bíblia nos orienta a perdoar com base no mesmo perdão que recebemos de Deus.

“Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.” (Efésios 4:21)

Ele pagou o nosso escrito de dívida com seu sacrifício de amor. Sua paixão por nós superou nossa dívida. Seu amor nos conforma e nos capacita a perdoar porque Ele nos amou e nos perdoou primeiro. Ele restaurou nossa dignidade e agora podemos olhar com misericórdia o nosso semelhante e vivermos em harmonia.

O perdão não é uma experiência meramente emocional, mas um exercício da vontade. Não é uma experiência de amnésia, mas de cancelamento de dívida. Perdoar é “desculpar”, ou seja, é tirar a culpa. É revogar a acusação. É rasgar a promissória que existe em nosso coração.

Pleito de culpa

Tão importante quanto saber perdoar é saber pedir perdão e também saber facilitar o reencontro. Tem gente que até consegue perdoar, mas jamais pede perdão, porque pedir perdão implica em admitir culpa. Nesse ponto, o que nos atrapalha é nosso orgulho. Não queremos admitir que somos réus dentro da alma do outro. Fugimos de toda e qualquer sensação de culpa.

Não temos que ter medo da culpa. Ela é uma reação natural e saudável de nossa alma, que nos ajuda a conhecer nossos limites. Só os psicopatas não têm senso de culpa. Por isso, não precisamos ter medo dela. Podemos aprender a admiti-la sem adoecer. Ter culpa é bom. Ter complexo de culpa, ou seja, sentir-se culpado por tudo, é que adoece. O que precisamos compreender para derrubar as muralhas de nossas vidas e de nossos amados?

Qualquer conflito no lar é provocado também por nós. Se você sente-se maltratado pelo seu cônjuge, acorde para a realidade de que dificilmente aquele amor maravilhoso e ardente de namorados esfriou sozinho. Com certeza você fez algo, ainda que inconsciente que contribuiu para a atual circunstância. É preciso char o ponto. Se deseja mudar a situação do relacionamento, precisa mudar o modo como venho tratando a pessoa ou as pessoas a quem amo.
 
Interesse-se verdadeiramente por ela enquanto pessoa. Dê a você mesmo a chance de ser mais humano. Interesse-se por seus assuntos e dilemas. A Bíblia diz que permanecer sob sua ira não produzirá na outra pessoa quebrantamento. Ao contrário só trancará mais ainda as portas.

Será que seu orgulho vale tanto assim a ponto de fazer arruinar seu relacionamento com os filhos ou esposa?

"A língua dos sábios torna atraente o conhecimento, mas a boca dos tolos derrama insensatez." (Provérbios 15:2)

"A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira. A língua dos sábios torna atraente o conhecimento, mas a boca dos tolos derrama insensatez." (Provérbios 15:1-2)

Perdoado por Deus

Se deseja derrubar as muralhas, precisa colocar-se no lugar do outro e imaginar como ele se sente. Esse é o melhor caminho para liberar nosso perdão. Por isso Jesus disse:

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas.”(Mateus 7:12)

Reconheça que a outra pessoa está sofrendo e esteja disposto a admitir erros. Sempre quem está com o espírito fechado está também com uma grande e insuportável dor em sua alma e uma grande desilusão. Afinal, qual o filho que desejou ser alvo de hostilidade dos pais?
 
Quais os pais que sonharam com o desprezo do filho? Qual o cônjuge planejou ser desconsiderado e humilhado pela pessoa a quem escolheu como companheira ou companheiro? Então, reconheça que as pessoas a quem você ama estão sofrendo e que os sinais de hostilidade são muitas vezes uma maneira desesperada de construir a muralha com o propósito de proteger-se. Mas compreenda também que esta muralha a fará sofrer ainda mais.

Admitir nossa responsabilidade é ser honesto conosco e com o outro. Admitir é um ato de coragem, que possibilitará refazer caminhos e aproveitar oportunidades para agir com sabedoria. Perdoar e saber pedir perdão são grandes qualidades da espiritualidade. Perdoando e pedindo perdão você interrompe o ciclo da agressão e não nutre atitudes erradas contra ninguém. Perdoando e pedindo perdão criamos espaços para as relações existirem. Mantendo o perdão, esses espaços serão sempre amplos e limpos. Perdoando e pedindo perdão mudamos o rumo, a conduta e a emoção.

Concentre os seus pensamentos, posicionamentos e súplicas no caráter de Deus. Busque a Palavra. Seja um adorador, isto é, esteja submisso ao Senhor. Uma boa razão para perdoar, é o fato de que fomos perdoados por Deus. Por isso é necessário que hoje você tome a decisão mais libertadora de sua vida.
 
Tome uma decisão que libertará você de todos os fantasmas do passado. Que soltará as correntes que há muito aprisionam sua alma e não lhe permitem andar com naturalidade em todos os lugares. Perdoar é alinhar-se com Deus na condução da história. Isso começa com nossa atitude de receber o perdão que Cristo dedicou a você.

Que você possa ser corajoso e enfrentar a si mesmo e seu orgulho. Você perceberá que sua vida mudará completamente quando aprender a viver como perdoado por Deus, que é tão perfeito, e saberá perdoar a quem igualmente é imperfeito como nós o somos. Viver no perdão significa viver associado com quem Deus é e com o que Deus faz. Esse é um estilo de vida libertador.

“Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres.” (João 8:36)

 
Pr. Domingos Alves

 


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